Na primeira consulta que tive com a Obstetra, no dia 5 de Novembro, ainda levava comigo aquela sensação de "será que estou mesmo grávida?". Ao mesmo tempo, sabia e sentia que algo se passava pois tinha tido dores no fundo da barriga (desta vez mais fortes), tinha tido um desmaio (resultado da tensão baixa mais levantar repentinamente da cama a meio da noite) e as calças de ganga começavam a incomodar.
A médica examinou-me e depois pediu para que me deitasse pois íamos fazer a ecografia. A emoção e a ansiedade que precedem este momento é sempre muita. Mas na primeira foi ainda mais arrebatador, nunca tinha visto o bebé. A necessidade de ver e ouvir é enorme. É a confirmação de que tudo está bem e podemos respirar de alívio.

O início da ecografia foi longo (pelo menos assim me pareceu!). A médica viu e reviu. E depois de alguns minutos só me disse com um sorriso tímido: "São dois!". Naquele momento, o mundo à minha volta parou. As lágrimas correram pela cara convulsivamente, o coração acelerou e respirar tornou-se difícil. Olhei para o monitor e lá estavam os dois seres. Minúsculos. Cada um no seu saquinho. Não parei de chorar. Já quase nem via com tanta lágrima. Ouvi os corações. Batiam rápido. Muito rápido. Foi, sem dúvida, o som mais bonito que já ouvi na minha vida. A médica tentou acalmar-me com um "vai ter que digerir". Eu sei.
Levantei-me, vesti-me (com dificuldade) e proferi algumas palavras, as quais não me lembro. Saí. Lá fora, chovia. Um chuva miudinha, daquela que não se sente mas que molha. Caminhei até ao carro e parecia que os meus pés não tocavam no chão. Senti-me flutuar. Senti-me num sonho. Senti que só eu existia ali, naquele momento. Entrei no carro, olhei para a ecografia e chorei. Tinha dois seres dentro de mim. Dois.