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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Como areia entre os dedos...

Em conversa com uma colega sobre o concurso de professores, ofertas de escolas e afins, percebi que a minha esperança é como areia nas mãos - por mais que tente segurá-la, sinto-a escapar entre os dedos. Claro está que, quando as abrir estarão vazias. 
 
Nunca falei deste assunto, aqui. Apesar de ser o meu canto, nunca o fiz. Talvez por ser um assunto delicado. E controverso.
 
Fiz a minha opção aos 17 anos. Numa altura em que empregos para a minha área sobravam. Depois, a cada reforma que se fazia, acrescentavam-se areias na engrenagem e quando dei por mim, o sistema estava de tal forma encravado que não há esperança que aguente. Ainda ontem, numa entrevista sobre o Ensino Superior ouvi uma mãe a propósito de a filha ter entrado em Gestão dizer "fez bem porque tem saída, quer dizer, agora porque no futuro não se sabe". Pedem-nos que façamos escolhas aos 17/18 anos para toda uma vida e ainda por cima que o façamos com uma bola de cristal? Facílimo!
 
Com 21 anos era portadora de tantos sonhos, objetivos e metas. Com o tempo, fui percebendo que a linha do horizonte está mais longe a cada dia.  
 
Não se trata de trabalhar ou não. Já trabalhei em quase todas as áreas e sem qualquer pudor. Trata-se de realização pessoal. De cumprir objetivos. De nos sentirmos bem.
 
Todos os anos, o mês de agosto e setembro é um tumulto. Não há férias nem descanso. Apenas uma angústia. Será que vou ter trabalho? Onde? Quantas horas? Cada lista que sai é um nó na garganta. É um aperto no peito. Sinto que estou à espera de migalhas.
 
Se fosse hoje faria tudo diferente. Faria, sem dúvida. Sinto-me ingénua por acreditar que podemos fazer o que gostamos, o que nos faz bem, o que nos realiza. Acima de tudo, sinto-me traída.
 
 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um coração. Dois sentimentos.

A vida tem destes mistérios. Um coração consegue, ao mesmo tempo, vivenciar dois sentimentos tão distintos em relação a uma mesma situação.
Ao fim de meses de trabalho, de empenho e de envolvimento o corpo mas acima de tudo a mente pede descanso. Hoje, ainda que não oficialmente, é o meu primeiro dia de férias. É um alívio. É o chegar à meta depois de uma longa e estafante maratona debaixo de um sol de verão. Não podia ser mais gratificante. Sentimento de dever cumprido.
Mas, por outro lado, foi o momento de mais uma despedida. O dizer adeus. O deixar ficar para trás os sorrisos, as gargalhadas, os momentos fáceis e tranquilos.
É tão complicado ficarmos presos a dois sentimentos. Ambos inevitáveis. É um ciclo que se repete. Mas enquanto se repetir fico feliz porque é sinal que tenho trabalho.

Assim é o nosso coração...

Já ficaram entre dois sentimentos?

Beijinhos coloridos